Tolerância.

Tenho observado o quanto é importante o cultivo da tolerância, não apenas na vida de relação, mas em todos os aspectos da minha vida, inclusive comigo mesmo.

Hoje, há quatro anos casado, tenho compreendido algo que considero importante: apenas ser tolerante não é o bastante. É preciso ir um pouco além de somente cultivar essa virtude. Ela deve exercer uma função reitora na mente, ou seja, deve se sobrepor a pensamentos de pressa, intolerância, impaciência, impulsividade etc.

Outro aspecto é que preciso atuar cultivando também os sentimentos. Na vida de relação, por exemplo, tem me auxiliado muito recordar da época de namoro, das alegrias, das primeiras trocas de olhares, das conquistas do casamento, do nascimento do nosso primeiro filho… Enfim, reviver pela recordação momentos tão especiais que vivemos. Por isso, aprendi que a tolerância sem o cultivo de um sentimento torna-se fria, calculista e às vezes pode até parecer falsa e conivente em algumas situações.

Tenho acompanhado com maior clareza o movimento de certos pensamentos, e noto que é preciso “descongelar” o coração, uma vez que o cultivo da tolerância sem o cultivo do afeto pode me levar crer que apenas o outro está errado. Posição bastante cômoda, eu diria. É fundamental me colocar  frente a uma realidade onde também sou responsável por tudo o que ocorre no mundo que me circula. Ser indiferente a isso é me privar de corrigir uma conduta ou uma situação difícil que poderia ter sido evitada. Não agir não me exime de fazer parte do problema. Logo, o cultivo do afeto através da recordação tornam mais suaves e menos rancorosos os pensamentos, me torna mais afetuoso e favorece que atue com mais empatia e consciência.

Seja no casamento, na vida profissional ou até com os nossos filhos, devemos ter sempre presente o pensamento conciliador. Criamos dessa forma a oportunidade de tornar o mundo melhor começando pelo meio em que estamos inseridos. Quando tivermos os nossos momentos difíceis, nos beneficiaremos se os outros seres também agirem assim conosco.

Os tempos de vida ou as vidas do tempo?

Em duas semanas serei papai, se o Lucas assim desejar. Tenho refletido bastante nos últimos meses sobre os tempos de vida. Como interligar as diversas vidas que vivo e criar um equilíbrio entre elas? Aos poucos vou me dando conta de que antes de levar a Viviane para a maternidade, somos apenas dois. No retorno, seremos três! Vamos com o sonho, retornamos com a realização. As nossas vidas não serão mais as mesmas. Teremos pela frente um delicioso desafio: unir esses tempos de vida e tentar ampliar as vidas do tempo.

Com a logosofia tenho aprendido que amplio a minha vida a medida que a vivo conscientemente. O viver consciente implica em ser conhecedor da minha realidade mental, ou seja, dos pensamentos, dos sentimentos, das virtudes, das limitações etc. Os mundos interno e externo têm a possibilidade de se tornarem mais amplos a partir do momento que passo a vivê-los conscientemente. O viver consciente também implica na identificação de novas responsabilidades, como por exemplo, a de educar uma criança. .

Num diálogo com um ente querido, conversávamos sobre a importância do exemplo na educação das crianças. Lhe dizia que não existe “filho teimoso”, mas “pais teimosos”. O campo experimental da vida me apresenta essas experiências. Preciso despertar para essa realidade se quero chegar a utilizá-las em prol da minha evolução espiritual. Se sou impaciente, por exemplo, como esperar que meu filho não seja? Se minhas palavras não forem confirmadas pela minha conduta, é provável que deixarei de herança para ele aspectos psicológicos que não me agradam. Oxalá que ocorra o contrário!

Daqui quinze dias terei uma nova vida que precisa ser compartilhada com as demais vidas que vivo. Além da vida de relação, do trabalho, dos amigos, da faculdade etc, terei agora a “vida de papai”. É a primeira vez que terei essa oportunidade, e isso me faz compreender que o tempo não só pode, como deve ser meu melhor aliado. Para ser esse exemplo que tanto quero ser, preciso cultivar a virtude da paciência, e saber que existem situações que só o tempo resolve. E é justamente a vida do tempo que necessita ser ampliada.

Afinal, os nove meses estão chegando ao fim.