Tenho observado o quanto é importante o cultivo da tolerância, não apenas na vida de relação, mas em todos os aspectos da minha vida, inclusive comigo mesmo.
Hoje, há quatro anos casado, tenho compreendido algo que considero importante: apenas ser tolerante não é o bastante. É preciso ir um pouco além de somente cultivar essa virtude. Ela deve exercer uma função reitora na mente, ou seja, deve se sobrepor a pensamentos de pressa, intolerância, impaciência, impulsividade etc.
Outro aspecto é que preciso atuar cultivando também os sentimentos. Na vida de relação, por exemplo, tem me auxiliado muito recordar da época de namoro, das alegrias, das primeiras trocas de olhares, das conquistas do casamento, do nascimento do nosso primeiro filho… Enfim, reviver pela recordação momentos tão especiais que vivemos. Por isso, aprendi que a tolerância sem o cultivo de um sentimento torna-se fria, calculista e às vezes pode até parecer falsa e conivente em algumas situações.
Tenho acompanhado com maior clareza o movimento de certos pensamentos, e noto que é preciso “descongelar” o coração, uma vez que o cultivo da tolerância sem o cultivo do afeto pode me levar crer que apenas o outro está errado. Posição bastante cômoda, eu diria. É fundamental me colocar frente a uma realidade onde também sou responsável por tudo o que ocorre no mundo que me circula. Ser indiferente a isso é me privar de corrigir uma conduta ou uma situação difícil que poderia ter sido evitada. Não agir não me exime de fazer parte do problema. Logo, o cultivo do afeto através da recordação tornam mais suaves e menos rancorosos os pensamentos, me torna mais afetuoso e favorece que atue com mais empatia e consciência.
Seja no casamento, na vida profissional ou até com os nossos filhos, devemos ter sempre presente o pensamento conciliador. Criamos dessa forma a oportunidade de tornar o mundo melhor começando pelo meio em que estamos inseridos. Quando tivermos os nossos momentos difíceis, nos beneficiaremos se os outros seres também agirem assim conosco.