Domingo.


No último domingo (22/08/10) encontrava-me a meu filho Lucas, de 1 ano e 4 meses, quando de repente lhe perguntei:
- Você ama o papai?
Com a cabecinha sinalizou “não, não, não”, soltando na sequência uma maravilhosa gargalhada com aquele olhar de “menino sapeca”.
Não exitei em perguntar-lhe novamente:
- Você não ama o papai?
E, da mesma forma, recebi a eloquente resposta com algumas pitadas de rizadas a mais…
Ficamos nesta “brincadeirinha” por algum tempo, até que resolvi fazer uma nova investida:
- Se você ama o papai, vem me dar um abraço forte!
Tamanha minha surpresa quando observei aquele ser tão pequenino vindo a mim com os bracinhos abertos, chamando “papai, papai” e logo, agarrando-se em meu pescoço!
Um momento único, afetuoso, especial e sem palavras.

Poesia para deixar marcas na vida.

Dentre as poesias mais marcantes da minha vida há uma que me faz recordar muito das brincadeiras da infância e da simplicidade que naqueles tempos cultivava com uma naturalidade impressionante. Sou do tempo do “carrinho de lomba“, da “perna de paú“, do “ioió“, do “jogo de taco” etc. Nas férias de verão costumava visitar o sítio do meu avô, e lá desfrutuava de momentos maravilhosos ao lado de meus primos. Subir nas laranjeiras, nos pessegueiros e colher uva debaixo do parreiral eram apenas algumas dessas diversões. E que diversões! Por isso, quando leio a poesia de Casimiro de Abreu, noto que certas marcas resurgem como se fossem reais e atuais.

Lá vai um fragmento de “Meus oito anos“:

“Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!”