O desafio (e a oportunidade) de ser pai.

Nas últimas semanas, com o avanço da gravidez da minha esposa (ela está iniciando o sexto mês), tenho visto se aproximar o dia que serei papai pela primeira vez.  Já escrevi neste blog sobre a grande oportunidade que é colocar ao mundo uma criança, porém deixei de abordar sob o aspecto do desafio.

Num mundo tão complicado quanto o atual, há uma grande preocupação sobre a responsabilidade que implica em não apenas dar a luz a um bebê, mas principalmente em como conduzir sua educação.  O fato é que não queremos criar um deliqüente e isso nos preocupa muito principalmente por sermos pai de primeira viagem. Como disse, tenho refletido muito sobre esse tema, e  até pouco tempo quanto mais pesquisava e estudava me dava conta de que não sabia nada e que teria pela frente um desafio muito grande. Embora tenha buscado na literatura fórmulas de como educar uma criança, percebi que elas não existem (ainda bem!!) e que também o “ser pai” é algo que vou conquistando a medida que vou me conhecendo e conhecendo aquele ser que está sob minha custódia.

A logosofia tem me ensinado que devo me antecipar ao que quero viver no futuro. Tentei então fazer um ensaio desse ensinamento para a arte de educar. Dei-me conta de que há uma grande responsabilidade em educar uma criança, mas há também uma grande oportunidade, que se abre a medida que vou me observando e observando o desenvolvimento do meu filho. Por exemplo, até em pouco tempo me considerava uma pessoa bastante tímida. Comecei identificar a origem dessa timidez, e cheguei a conclusão que a maior parte dela foi criada na infância. Certo. Já sei o que incentivou a minha timidez, mas como não fazer com que isso se repita na educação do meu filho? Aliás, como educar uma criança para não ser tímida se eu mesmo sou? E percebi inclusive, que a mesma regra vale para outros aspectos, tais como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância etc. Como dar a meu filho algo que não possuo ainda?

Não quero dizer que meus pais tenham me educado errado, muito pelo contrário, devo muita coisa a eles. Mas também sei que hoje temos muito mais recursos para poder dar a nossos filhos uma educação mais eficiente. Essa educação deve evitar de impor medos em nossas crianças. Pequenas brincadeiras como “Deus castiga”, “No quarto escuro tem o bicho papão”, “Se mexer com fogo irá fazer pipi na cama” etc poderão ter criado em mim um medo muito grande de expor meu pensamento as outras pessoas. Tive de refletir muito sobre minha infância para identificar meus medos e poder trabalhar essas questões para poder minimizá-los. Quero que meus filhos pensem com liberdade, e por isso a necessidade de não impor a eles crenças e medos que poderão oprimi-los ou inibí-los no futuro. Para educar uma criança é preciso estar muito atento a nossa própria conduta, pois se o mau está em mim e eu não fizer nada para combatê-lo, possivelmente meus filhos irão herdar esse maus para suas vidas. Se não cuido as palavras que falo na frente deles, provalmente irão repetir aquilo que falo. As crianças têm muito a me ensinar, mas para isso preciso estar muito atento a esses sinais.

Educar uma criança é nos permitir crescer espiritualmente. Essa é oportunidade que criamos quando nos damos por conta de que aquilo que não gostamos em nós precisa ser aperfeiçoado, de preferência, antes que nossos filhos herdem estas características. Não adianta, no entanto, mudar simplesmente por mudar. É preciso ter um método e se apoiar em algo que realmente traga os resultados que buscamos. A logosofia tem um método que é apoiado por conceitos; é uma ciência eminentemente prática, que obviamente resulta em elementos também práticos. Fruto dessas experiências que aplicamos em nossa vida, vamos tirando conclusões importantes sobre nossa própria existência. Hoje compreendo que a evolução do ser humano caminha paralelamente a função de pensar. Mas o que é pensar? Ou melhor, o que é pensar com liberdade? Isso me leva a compreender que preciso rever muitos dos conceitos que carrego comigo desde a infância e verificar se os mesmos ainda são válidos para mundo em que vivemos. Precisamos educar nossos filhos para a vida, e para que isso seja efetivo, necessitamos de uma orientação que seja baseada em nossas próprias experiências. Daí a ineficiência de fórmulas prontas ou de livros de auto-ajuda.

E assim estou fazendo muitas reflexões sobre a minha vida, buscando me aperfeiçoar, principalmente com o objetivo de evoluir de forma mais consciente para poder dar a meu futuro filho uma infância melhor do que aquela que recebi de meus pais. Oxalá que meus filhos possam, da mesma forma, dar aos meus futuros netos (espero que os tenha!), uma educação também melhor do que esta que estou pensando em dar a eles.

Que linda é essa oportunidade que o Criador nos deu, de aprender com nossos filhos e de nos outorgrar a possibilidade de evoluir por conta própria, mediante um processo de superação integral. Mas para isso é preciso querer; querer com o coração.

Os pilares de uma nova juventude.

É comum observar o comportamento dos jovens pelo tipo de música que apreciam, estilo dos programas de televisão que têm preferência, roupas que vestem e pelas festas que costumam freqüentar. Embora sejam características externas, todas têm sua origem ou motivação no mundo interno. Há razões para terem tal comportamento, e são essas razões, quase sempre imperceptíveis, que estimulam o jovem a cristalizar o desejo de liberdade na pré-adolescência.

Essa busca pela liberdade ganha forma através de uma participação mais ativa na sociedade. É o momento de mostrar a todos que é “livre”, “independente”; possui opiniões próprias. Em meio a essa caminhada, que é repleta de descobertas, o jovem se torna hábil em fazer novas amizades, cria uma identidade com esses amigos, identifica-os como a sua “tribo”.

Sendo o estágio da vida em que as inquietudes mais se manifestam, muitas vezes o jovem acaba se vinculando a falsos valores. É o período onde surge a figura dos ídolos, pessoas que normalmente representam alguma corrente musical, ideológica, partidária, religiosa ou intelectual. A conduta do ídolo quase sempre é seguida como um exemplo, raramente sendo feita uma consulta prévia ao mundo interno. Não haveria como fazê-la, pois a própria cultura vigente não foi capaz de ensiná-lo tal proeza. Não havendo esta preocupação, se deixa converter no anonimato, pois a falta de conhecimentos sobre a vida e suas possibilidades mentais de realização, não o permite discernir entre a verdade e o erro, entre os pensamentos próprios e os alheios. Se vê envolvido, tomado pela falsa alegria de pertencer a um grupo, e acaba esquecendo de si próprio. Acaba “pensando como todo mundo”. Quando se depara com a realidade, sofre um momento de frustração, pois os ídolos, assim como os falsos amigos, desaparecem quando mais se precisa deles. Os sonhos, os projetos e os ideais, desapareceram, inclusive, por ironia do destino, a tão ansiada liberdade. Para onde foi todo mundo? Se pergunta.

Essas são observações que tenho feito sobre a juventude após ter iniciado meus estudos de logosofia, uma ciência que possibilita ao homem, através de um método, conhecer seu mundo interno, saber efetivamente o que se passa nele, suas inquietudes, suas angústias, suas virtudes. Não há como continuar vendo o mundo da mesma forma após ter contato com esse conhecimento, porque ele nos permite identificar em nós mesmos, a parte da criação que carregamos da nossa herança e a partir disso, entender melhor o semelhante e a própria Criação.

Dizemos que a logosofia é uma ciência acessória, porque com ela se aprende a estudar, a pensar, a sentir, a refletir, a discernir de forma diferente do que do mundo comum. O jovem aprende, por exemplo, a observar em sua vida o resgate de importantes valores morais e espirituais, que o auxilia no cultivo de amizades mais duradouras e no relacionamento com a família. Os conhecimentos superiores da ciência logosófica podem prepará-lo para enfrentar os transes de um mundo cada dia mais cheio de surpresas e desafios. Estes são os valores morais, parte da herança que recebemos da nossa criação, que dão um sentido especial à vida e ao viver, e que são levados a prática pelo estudo logosófico.

A ciência logosófica orienta aos jovens que o conhecimento do mundo interno é “indispensável para não sofrer os rudes contrastes que aparecem entre a realidade que se ignora e o que se crê nela”. Se praticados na vida, como recomenda o método logosófico, esses ensinamentos oferecerão uma nova compreensão sobre suas possibilidades enquanto ser humano dotado de inteligência, pois conhecerá melhor sua própria psicologia.

Tenho observado que a nossa juventude está um pouco carente de conceitos, e essa carência tem origem nos mais diversos fatores. O estudo logosófico apresenta um caminho que poderá levá-la a recantos mais sublimes, onde a consciência se faz presente no maior número de momentos em sua vida, estimulando que o jovem seja na sociedade um agente de mudança e um veículo de bem.

Os ensinamentos da sabedoria logosófica conduzem a um caminho cujo resultado será a edificação de uma nova juventude; uma juventude mais ativa, mais consciente. Poderá, enfim, desfrutar da liberdade em seu mais puro conceito.

Conheça a Logosofia: http://www.logosofia.org.br

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