Férias.

Estou em férias. Depois de um ano de intenso labor profissional, me encontro numa linda praia recompondo minhas energias para a próxima etapa, ou melhor: o segundo tempo. Essas férias não seriam completas se não estivesse ao lado da minha esposa e do nosso pequeno Lucas. Reparei que desde que casamos, estas são as primeiras férias que realmente conseguimos planejar um sumisso juntos! É grande a felicidade que sinto por ter conseguido colocar esse anelo em prática. Só aproveitar agora.

O mês de março se apresenta como uma excelente opção para viajar ao litoral. Nessa época as praias estão sempre menos lotadas, os preços mais acessíveis e as temperaturas continuam elevadas. Por isso, quando é possível fazer esta escolha, só se colhe vantagens.

O que não está em férias é a minha mente. Essa não pode sair de férias, precisa estar sempre ativa, em movimento. Ócio nem pensar. Não que não consiga me desligar do trabalho, mas as férias se tornam uma excelente ocasião para curtir a esposa, o filhote e colocar aquela leitura em dia. Os pensamentos que compõe a casa mental logicamente não devem ser os mesmos do cotidiano profissional. Por isso mesmo não posso deixar de observar essa natureza toda a minha volta, as alegrias que minha familia está me oferecendo e não contemplar esse momento com profundos pensamentos.

Tenho utilizado as férias como um divisor de águas. É um momento onde tenho a oportunidade de rever o planejamento para o ano, finalizar meu inventário íntimo e corrigir ou ajustar possíveis desvios. É uma ocasião muito especial para fazer uma releitura do que vivi no último ano com vistas a experimentar no ano que se inicia novas realidades. Pensar em tudo o que favorece o processo de evolução consciente, ensina o autor da Logosofia. É nisso que concentro meus esforços nesse período tão afetuoso que são as férias.

Oxalá possa viver momentos maravilhosos nessas férias ao lado de todos que amo e quero bem. Que seja mais uma oportunidade para crescer espiritualmente e avançar nesse caminho de evolução.

Tolerância.

Tenho observado o quanto é importante o cultivo da tolerância, não apenas na vida de relação, mas em todos os aspectos da minha vida, inclusive comigo mesmo.

Hoje, há quatro anos casado, tenho compreendido algo que considero importante: apenas ser tolerante não é o bastante. É preciso ir um pouco além de somente cultivar essa virtude. Ela deve exercer uma função reitora na mente, ou seja, deve se sobrepor a pensamentos de pressa, intolerância, impaciência, impulsividade etc.

Outro aspecto é que preciso atuar cultivando também os sentimentos. Na vida de relação, por exemplo, tem me auxiliado muito recordar da época de namoro, das alegrias, das primeiras trocas de olhares, das conquistas do casamento, do nascimento do nosso primeiro filho… Enfim, reviver pela recordação momentos tão especiais que vivemos. Por isso, aprendi que a tolerância sem o cultivo de um sentimento torna-se fria, calculista e às vezes pode até parecer falsa e conivente em algumas situações.

Tenho acompanhado com maior clareza o movimento de certos pensamentos, e noto que é preciso “descongelar” o coração, uma vez que o cultivo da tolerância sem o cultivo do afeto pode me levar crer que apenas o outro está errado. Posição bastante cômoda, eu diria. É fundamental me colocar  frente a uma realidade onde também sou responsável por tudo o que ocorre no mundo que me circula. Ser indiferente a isso é me privar de corrigir uma conduta ou uma situação difícil que poderia ter sido evitada. Não agir não me exime de fazer parte do problema. Logo, o cultivo do afeto através da recordação tornam mais suaves e menos rancorosos os pensamentos, me torna mais afetuoso e favorece que atue com mais empatia e consciência.

Seja no casamento, na vida profissional ou até com os nossos filhos, devemos ter sempre presente o pensamento conciliador. Criamos dessa forma a oportunidade de tornar o mundo melhor começando pelo meio em que estamos inseridos. Quando tivermos os nossos momentos difíceis, nos beneficiaremos se os outros seres também agirem assim conosco.