Domingo.


No último domingo (22/08/10) encontrava-me a meu filho Lucas, de 1 ano e 4 meses, quando de repente lhe perguntei:
- Você ama o papai?
Com a cabecinha sinalizou “não, não, não”, soltando na sequência uma maravilhosa gargalhada com aquele olhar de “menino sapeca”.
Não exitei em perguntar-lhe novamente:
- Você não ama o papai?
E, da mesma forma, recebi a eloquente resposta com algumas pitadas de rizadas a mais…
Ficamos nesta “brincadeirinha” por algum tempo, até que resolvi fazer uma nova investida:
- Se você ama o papai, vem me dar um abraço forte!
Tamanha minha surpresa quando observei aquele ser tão pequenino vindo a mim com os bracinhos abertos, chamando “papai, papai” e logo, agarrando-se em meu pescoço!
Um momento único, afetuoso, especial e sem palavras.

Tolerância.

Tenho observado o quanto é importante o cultivo da tolerância, não apenas na vida de relação, mas em todos os aspectos da minha vida, inclusive comigo mesmo.

Hoje, há quatro anos casado, tenho compreendido algo que considero importante: apenas ser tolerante não é o bastante. É preciso ir um pouco além de somente cultivar essa virtude. Ela deve exercer uma função reitora na mente, ou seja, deve se sobrepor a pensamentos de pressa, intolerância, impaciência, impulsividade etc.

Outro aspecto é que preciso atuar cultivando também os sentimentos. Na vida de relação, por exemplo, tem me auxiliado muito recordar da época de namoro, das alegrias, das primeiras trocas de olhares, das conquistas do casamento, do nascimento do nosso primeiro filho… Enfim, reviver pela recordação momentos tão especiais que vivemos. Por isso, aprendi que a tolerância sem o cultivo de um sentimento torna-se fria, calculista e às vezes pode até parecer falsa e conivente em algumas situações.

Tenho acompanhado com maior clareza o movimento de certos pensamentos, e noto que é preciso “descongelar” o coração, uma vez que o cultivo da tolerância sem o cultivo do afeto pode me levar crer que apenas o outro está errado. Posição bastante cômoda, eu diria. É fundamental me colocar  frente a uma realidade onde também sou responsável por tudo o que ocorre no mundo que me circula. Ser indiferente a isso é me privar de corrigir uma conduta ou uma situação difícil que poderia ter sido evitada. Não agir não me exime de fazer parte do problema. Logo, o cultivo do afeto através da recordação tornam mais suaves e menos rancorosos os pensamentos, me torna mais afetuoso e favorece que atue com mais empatia e consciência.

Seja no casamento, na vida profissional ou até com os nossos filhos, devemos ter sempre presente o pensamento conciliador. Criamos dessa forma a oportunidade de tornar o mundo melhor começando pelo meio em que estamos inseridos. Quando tivermos os nossos momentos difíceis, nos beneficiaremos se os outros seres também agirem assim conosco.

O desafio (e a oportunidade) de ser pai.

Nas últimas semanas, com o avanço da gravidez da minha esposa (ela está iniciando o sexto mês), tenho visto se aproximar o dia que serei papai pela primeira vez.  Já escrevi neste blog sobre a grande oportunidade que é colocar ao mundo uma criança, porém deixei de abordar sob o aspecto do desafio.

Num mundo tão complicado quanto o atual, há uma grande preocupação sobre a responsabilidade que implica em não apenas dar a luz a um bebê, mas principalmente em como conduzir sua educação.  O fato é que não queremos criar um deliqüente e isso nos preocupa muito principalmente por sermos pai de primeira viagem. Como disse, tenho refletido muito sobre esse tema, e  até pouco tempo quanto mais pesquisava e estudava me dava conta de que não sabia nada e que teria pela frente um desafio muito grande. Embora tenha buscado na literatura fórmulas de como educar uma criança, percebi que elas não existem (ainda bem!!) e que também o “ser pai” é algo que vou conquistando a medida que vou me conhecendo e conhecendo aquele ser que está sob minha custódia.

A logosofia tem me ensinado que devo me antecipar ao que quero viver no futuro. Tentei então fazer um ensaio desse ensinamento para a arte de educar. Dei-me conta de que há uma grande responsabilidade em educar uma criança, mas há também uma grande oportunidade, que se abre a medida que vou me observando e observando o desenvolvimento do meu filho. Por exemplo, até em pouco tempo me considerava uma pessoa bastante tímida. Comecei identificar a origem dessa timidez, e cheguei a conclusão que a maior parte dela foi criada na infância. Certo. Já sei o que incentivou a minha timidez, mas como não fazer com que isso se repita na educação do meu filho? Aliás, como educar uma criança para não ser tímida se eu mesmo sou? E percebi inclusive, que a mesma regra vale para outros aspectos, tais como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância etc. Como dar a meu filho algo que não possuo ainda?

Não quero dizer que meus pais tenham me educado errado, muito pelo contrário, devo muita coisa a eles. Mas também sei que hoje temos muito mais recursos para poder dar a nossos filhos uma educação mais eficiente. Essa educação deve evitar de impor medos em nossas crianças. Pequenas brincadeiras como “Deus castiga”, “No quarto escuro tem o bicho papão”, “Se mexer com fogo irá fazer pipi na cama” etc poderão ter criado em mim um medo muito grande de expor meu pensamento as outras pessoas. Tive de refletir muito sobre minha infância para identificar meus medos e poder trabalhar essas questões para poder minimizá-los. Quero que meus filhos pensem com liberdade, e por isso a necessidade de não impor a eles crenças e medos que poderão oprimi-los ou inibí-los no futuro. Para educar uma criança é preciso estar muito atento a nossa própria conduta, pois se o mau está em mim e eu não fizer nada para combatê-lo, possivelmente meus filhos irão herdar esse maus para suas vidas. Se não cuido as palavras que falo na frente deles, provalmente irão repetir aquilo que falo. As crianças têm muito a me ensinar, mas para isso preciso estar muito atento a esses sinais.

Educar uma criança é nos permitir crescer espiritualmente. Essa é oportunidade que criamos quando nos damos por conta de que aquilo que não gostamos em nós precisa ser aperfeiçoado, de preferência, antes que nossos filhos herdem estas características. Não adianta, no entanto, mudar simplesmente por mudar. É preciso ter um método e se apoiar em algo que realmente traga os resultados que buscamos. A logosofia tem um método que é apoiado por conceitos; é uma ciência eminentemente prática, que obviamente resulta em elementos também práticos. Fruto dessas experiências que aplicamos em nossa vida, vamos tirando conclusões importantes sobre nossa própria existência. Hoje compreendo que a evolução do ser humano caminha paralelamente a função de pensar. Mas o que é pensar? Ou melhor, o que é pensar com liberdade? Isso me leva a compreender que preciso rever muitos dos conceitos que carrego comigo desde a infância e verificar se os mesmos ainda são válidos para mundo em que vivemos. Precisamos educar nossos filhos para a vida, e para que isso seja efetivo, necessitamos de uma orientação que seja baseada em nossas próprias experiências. Daí a ineficiência de fórmulas prontas ou de livros de auto-ajuda.

E assim estou fazendo muitas reflexões sobre a minha vida, buscando me aperfeiçoar, principalmente com o objetivo de evoluir de forma mais consciente para poder dar a meu futuro filho uma infância melhor do que aquela que recebi de meus pais. Oxalá que meus filhos possam, da mesma forma, dar aos meus futuros netos (espero que os tenha!), uma educação também melhor do que esta que estou pensando em dar a eles.

Que linda é essa oportunidade que o Criador nos deu, de aprender com nossos filhos e de nos outorgrar a possibilidade de evoluir por conta própria, mediante um processo de superação integral. Mas para isso é preciso querer; querer com o coração.