História/Origem

1. História da Família Zanella:

Navio de imigrantes chegando no porto.

Em dezembro de 1882 partia do porto de Gênova, na Itália, o navio “HALSBURG“, com destino ao Rio de Janeiro, Brasil. A bordo não estavam apenas pessoas, mas principalmente, sonhos. Nesse navio o Sr. Michele Zanella (28 anos, agricultor), sua esposa, Sra Oliva Prebianca (28 anos, do lar), e seus dois filhos, Giovanni Zanella (07 anos) e Giuseppe Zanella (01 ano e 09 meses) deixavam para trás seu país para nunca mais retornar.

No dia 12.01.1883, chega no porto do Rio de Janeiro/RJ, o Sr. Michele e sua família. Seu próximo destino: Rio Grande do Sul. Neste estado lhe esperava o lote 06 do Travessão Riachuelo, na XIV Légua, na “Colônia Caxias”, terras hoje pertencentes ao município de Flores da Cunha / RS. [Fonte: GARDELIN, Mário - POVOADORES DA COLÔNIA DE CAXIAS, 2 Ed, Est Edições, Porto Alegre / RS, página 389].

Iniciava-se a vida da família ZANELLA no Brasil.

É  importante registrar que nesse período a Itália vivia uma enorme crise econômica e social, fruto da recente unificação italiana e dos conflitos internos e com outros países, dentre eles a Áustria. A vida naquele país não estava nada fácil, principalmente para o habitantes da Região do Vêneto, norte da Itália. O fato é que não se acreditava que a Itália pudesse reagir frente a forte crise em que vivia, e a promessa de uma vida melhor no Brasil era muito atrativa. Tão tentadora que cerca de um milhão e meio de italianos aceitaram o convite e deixaram seu país.

O Brasil, por sua vez, cerca de cinquenta anos antes, havia iniciado um processo de povoamento das terras devolutas da Região Sul, iniciada com os alemães (São Leopoldo / RS). Como os vales já haviam sido ocupados pelos alemães, restou aos italianos a região serrana, que foi dividida em “colônias”, onde foi estabelecida a “Região de Colonização Italiana – RCI”, que deu origem, mais tarde, a cidades como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Farroupilha, Garibaldi, Carlos Barbosa, São Marcos entre outras.

Como todo processo de imigração, houve inúmeros desafios, sendo o primeiro deles a própria viagem de navio da Itália para o Brasil. Essa viagem durava aproximadamente trinta e seis dias. Haja vista super lotação e condições realmente precárias de higiene, muitos dos imigrantes não tiveram a sorte de chegar ao destino com vida. Cabe lembrar que grande parte dos italianos deixaram o pouco que tinham na Itália, e vieram para o Brasil apenas com a esperança de encontrar aqui um lugar para construir uma nova vida.

Igreja onde Giuseppe foi batizado em 28.03.1881

Giuseppe Zanella nasceu em 18.03.1881, na Comune di Magrè, hoje pertencente a Comune di Schio, Vicenza, norte da Itália. Foi batizado na Igreja de SS Leonzio & Carpoforo dez dias após seu nascimento. Da Itália para o Brasil sei que veio junto de seu irmão, Giovanni, porém infelizmente não consegui obter informações se teve mais irmãos, mas provavelmente teve, haja vista que naquela época as famílias eram bastante numerosas em função da necessidade de mão de obra no campo. Cabe lembrar também que nessa época seu pai, Sr. Michele, tinha apenas 26 anos de idade.

1883: CHEGADA AO BRASIL

Vila da Santa Tereza (Caxias 1876)

Na chegada ao Brasil, o Sr. Michele ZANELLA recebeu do governo brasileiro um lotes de 176.000 m2 cada (lote 06), no Travessão Riachuelo, XIV LÉGUA, hoje município de Flores da Cunha / RS. Em 1894 quita a dívida com o governo e as terras passam a ser de sua propriedade. Naturalmente, houve nesse período a expansão das áreas de colonização e consequentemente a comercialização de áreas entre si. Foi o caso do nono Michele, que acabou comprando também o lote 04. Esse aspecto fez com que o berço do meu bisavô (Giuseppe Zanella) se tornasse a região de Criúva, naquela época pertencente ao município de São Francisco de Paula / RS. Em todas as épocas a família sempre esteve envolvida no cultivo de frutas e no cuidado de animais para abate (consumo familiar – gado, aves e suínos). Mas, sem dúvida, o cultivo de videiras (parreiral de uva), foi o que impulsionou a atividade econômica da família e de toda região. O comércio era muito incipiente, e funcionava em forma de troca. Recordo que meu avô dizia que o abate de animais de grande porte (gado) era feita do forma comunitária e a carne distribuída para toda comunidade. Não havia energia elétrica, e a conservação dos alimentos era bastante complexa na época. Havia ocorrência de troca de excessos de grãos (milho, feijão etc) com outros membros da comunidade. Esse fato acabou gerando os moinhos, que processavam a farinha para a produção de pães (feitos em fornos de barro) e polenta. Como não poderia deixar de ocorrer, dada forte influência na cultura italiana, houve a presença muito forte da Igreja Católica, que se estabeleceu em forma de “capelas”, dando em alguns momentos legitimidade a certas comunidades (linhas, travessões etc).

1907: CASAMENTO DE GIUSEPPE ZANELLA

Giuseppe Zanella

É provável que Giuseppe tenha se casado no religioso por volta de 1907, no distrito de Criúva, atualmente pertencente a Caxias do Sul (RS), com MARIA POLETTO. Dessa união nasceram sete filhos, quais sejam: LUIZA, PEDRO, BORTOLO, VISCIENCIA, JOÃO, IZIDORO e FRANCISCO. Em 1907 não havia serviço cartorário na região, e meus bisavós acabaram se casando do civil apenas em 1924.

1920: NASCIMENTO DE IZIDORO ZANELLA

Meu avô foi o sexto filho a nascer, e naturalmente seu nascimento se deu em casa, com ajuda de parteira, como costume da época. O engraçado é que nesta época, mesmo já existindo serviço cartorário, as pessoas se registravam apenas antes do casamento. Não foi diferente com meu avô, que acabou tendo seu registro de nascimento registrado no cartório apenas em 1939, quando tinha 19 anos! Se o Giuseppe não estivesse vivo, não teríamos direito ao reconhecimento da cidadania italiana pela falta da declaração de nascimento por parte do pai! O Sr Giuseppe o fez tanto na sua certidão de casamento, quanto nas certidões de nascimento de todos os filhos. Sorte nossa! Tratarei desse assunto mais adiante no capítulo sobre “cidadania italiana”.

1941: CASAMENTO DE IZIDORO ZANELLA

Izidoro e Angelina

Em 18.10.1941 meu avô, Sr Izidoro, se casou com ANGELINA COSMA. Dessa união nasceram onze filhos, que são: CATARINA, MARIA PALMINA, CECÍLIA, LAURINDO, TEREZINHA, LOURENÇO, IRENE, LUIZ, CELESTINO, AVELINO e ISABELA. Minha mãe, TEREZINHA ZANELLA, foi o quinto filho a nascer. Tanto meu avô, quanto minha avó, eram pessoas muito queridas, e adoravam ficar rodeadas pelos netos. Adoravam contar suas histórias, e relembrar os momentos difíceis pelo qual passaram, momentos da sua infância. O “nono” tinha um jeito meio bravo, de italiano carrancudo, mas era boa gente. Recordo-me das férias escolares, que passávamos junto a eles e aos primos cerca de um mês. Quantas aventuras, quantas alegrias! Conto isso mais tarde, porque é muito especial reviver isso pela recordação. Era evidente que as tradições carregavam ensinamentos passados de geração em geração, que mantinham vivos determinados costumes e até mesmo o dialeto vêneto, presente ainda hoje no sotaque de alguns moradores dessas regiões. Esses valores ajudaram a construir a Serra Gaúcha e a torna-la uma das regiões mais ricas e promissoras do país. Valores baseados em trabalho, valentia, determinação, esforço e constância. Embora tenham nascidos em Caxias do Sul (RS), meus avós viveram com seus filhos nas imediações do Rio das Antas, no qual chamavam de “Serra do Meio”, local hoje pertencente ao município de Campestre da Serra (RS). Ainda hoje tenho tios e primos que moram lá. Local muito bonito pela presença da vegetação abundante e dos parreirais que enchem aquelas encostas.

1948: NASCIMENTO DE TEREZINHA ZANELLA

Izidoro e seus filhos

Em 11.11.1948 nascia minha mãe, Terezinha Zanella, numa localidade na encosta do Rio das Antas conhecida como “Serra do Meio”, atualmente pertencente ao município de Campestre da Serra (RS). Quando tinha 21 anos, em busca de melhores oportunidades de trabalho, se transferiu para Caxias do Sul (RS), onde vive até hoje. Em Caxias conheceu meu pai, João Batista, e tiveram três filhos: JONEVAL, JOÃO (Eu) e JOAQUIM. O ano de 1948 é muito importante para o reconhecimento da cidadania italiana, principalmente quando a descendência é feminina, como no nosso caso. É que apenas as mulheres nascidas a partir de 01.01.1948 podem transmitir a cidadania italiana aos descendentes. Caso a minha mãe tivesse nascido um ano antes (1947), não teríamos direito ao reconhecimento. É o que acontece com alguns dos meus primos, a não ser que a Lei Italiana mude, não poderão adquirir cidadania pela linha dos “ZANELLA”.

1957: FALECIMENTO DE GIUSEPPE ZANELLA

Em 26.02.1957, com 72 anos, falece em sua casa, nos braços de sua esposa, na “mulada”, localidade de Criúva (Caxias do Sul), Giuseppe Zanella, por causa desconhecida.

V Í D E O S:

Sinos da Igreja onde Giuseppe Zanella foi batizado em 1881.

 

Música que virou símbolo da Imigração Italiana.

 

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