Certo dia, um velho preceptor deleitava com seus contos um grupo de crianças que o escutava com viva e particular atenção. Ao finalizar um de seus belos relatos, cujo lado quimérico talvez fosse excessivo, viu esboçar-se nos rostos de seu infantil auditório um sorriso que de forma clara refletia a dúvida. Como as crianças sabiam que seu preceptor nunca mentia, era natural que se produzisse nela certa confusão.
Não perdendo nenhum detalhe de tudo quanto acontecia na alma dos pequenos, o bom ancião lhes propôs a seguinte parábola:
- Se eu mostrasse a vocês uma fonte cheia de água cristalina e pingasse nela uma gota de tinta, a água se mancharia? Não, porque desapareceria em seguida, e ninguém poderia dizer que essa gosta teve uma existência maior do que o breve instante em que caiu na água. Assim, crianças, aquele que vive e ensina a verdade pode, também, dizer pequeninas mentiras, pois estas nunca poderiam turvar, nem sequer fugazmente, a brancura daquela.
E, em seguida, prosseguiu:
- O mentiroso que alguma vez dissesse uma verdade seria como alguém que jogasse, num recipiente cheio de tinta, uma gota d’água. O que aconteceria? A mesma coisa, embora ao inverso: a gota d’água desapareceria, obsorvida pela tinta. Vou acrescentar ao que eu disse mais este outro ponto, de muito fácil alcance para seus entendimentos: quem mente por costume procede como se freqüentemente deixasse cair sobre um papel branco, que viria a representar aquela parte da mente na qual cada um forma o conceito sobre sua pessoa, gotículas de tinta. O que vai acontecer? Vai custar muito apagar as manchinhas que elas deixam, e, mesmo que se consiga fazê-lo, estas nunca desaparecerão completamente.
Lição: as crianças compreenderam a moral da história e fizeram firme propósito de preferir sempre a verdade à mentira.
Retirado do livro: Intermédio Logosófico, Gonzáles Pecotche, C. B. Editora Logosófica.