Un piano di salvataggio del passato.

Schio, Vicenza, Itália.

Nos últimos anos tenho me dedicado a pesquisar sobre a origem da minha família. Não o fiz apenas com o intuito de complementar a documentação para ingresso do pedido de reconhecimento da cidadania italiana. Penso que não dá para desprezar que a cultura italiana está fortemente inserida na cultura brasileira, afinal hoje cerca de 30 milhões de brasileiros possuem herança italiana. Por isso, minhas incursões tiveram inicialmente o objetivo de conhecer melhor a cultura italiana, a lingua e em especial, o lugar de onde meus antepassados nasceram.

Em 2001 um padre da “Comune di Schio”, paróchia do SS Leonzio & Carpoforo respondeu minha carta de solicitação de informações sobre os laços de origem da minha família. Naquela época recordo que encaminhei 23 cartas a paróchias italianas distintas, todas localizadas na região vêneta. Ele me enviou um certificado de nascimento e batismo do meu bisavô, Giuseppe Zanella. Passei a conhecer então o local exato onde meu bisavô havia nascido: Magrè di Schio, em Vicenza.

Comecei então, um trabalho de aproximação com a cidade, com seus costumes e com sua história. Mantive por diversas vezes contato com a equipe do Ufficio di Stato Civile, e acabei fazendo algumas amizades na cidade. Até conheci um amigo, que como eu, adora fotografia e que carrega o mesmo sobrenome: Andrea Zanella.

Notei inclusive, que embora fosse uma cidade pequena, com pouco mais de 40 mil habitantes, o lugar é encantador e desfruta de uma beleza e história muito peculiar. Pude conhecer também a história da igreja onde meu bisavô foi batizado, sobre sua construção, reformas etc. O lugar conta ainda com excelente estrutura hoteleira e com restaurante maravilhosos.

Quem estiver indo a Itália, não deixe de passar por Schio. Com certeza irá adorar!

Indicações de sites:

Vídeo do teatro comunitário da Comune di Schio:

Além do horizonte.

Como afirma a letra da banda Jota Quest, “além do horizonte existe um lugar”. Eu diria que além de um lugar, existe um alguém. De fato, existe mesmo. Só que esse alguém pode ser eu mesmo. Quando penso no horizonte, logo penso em transcendência da alma, que representa o verdadeiro encontro comigo mesmo, com meu espírito.

Nos últimos meses tenho notado algumas alterações na minha forma de ver esse mundo. Algo que sempre me chamou atenção foi o desconhecido, o que para mim se tornava um mistério. Aos poucos tenho descoberto que o mistério nada mais é aquilo que sempre esteve muito próximo aos meus olhos, mas que não tinha conhecimentos para fazer perceber. Fazer uma leitura adequada da realidade comum é algo muito desafiador; fico pensando no quão difícil é fazer essa mesma leitura da realidade metafísica, transcendente.

Quando penso no horizonte, penso que posso conhecer muito mais do que conheço hoje. Não estou falando sobre conhecer o mundo sideral, o universo. Estou tratando de um dos estudos que deveria fazer parte de todo ser humano: o estudo da sua vida interna. Temos internamente tantas potencialidades ainda por serem “descobertas”, “descortinadas”. Que realidade é essa que pertence a mim mesmo, mas que não consigo visualizar com clareza?

E quando penso no mundo transcendente, lembro-me da gota de tinta. Há numa gota de tinta a perspectiva de mudar o objeto que entra em contato consigo. Nenhum material permanece igual após o sutil toque de uma gota de tinta, mesmo que seja muito pequena. Atrevo-me a dizer, que nem a tinta que deu origem a gota permanece em seu estado original. O transcender da vida é como uma gota de tinta, que força uma mudança de posição, que estimula o câmbio, que me move a simplesmente me movimentar. O acesso a esse mundo exige câmbios, exige lutas, exige desafios constantes.

Muito diferente da música da banda, em que o lugar encontrado no horizonte é bonito e tranquilo, o meu horizonte necessita de lugares bonitos mas agitados, em constante transformação. Penso que a vida é assim; necessita mover-se sempre, a todo instante.

Meu guri.

Teu olhar é suave,
leve, mas revelador.
Teu sorriso é maroto,
mas limpo e doce.

Em tua mente,
sinto muito presente,
bons pensamentos.
Em teu coração observo,
que eu existo,
num dos seus mais belos sentimentos.

Que bom guri,
é te olhar todos os dias,
sentir em meu peito algo forte e profundo,
alegre e imenso…
Sentir que meu coração irmana com o teu,
porque nele você também existe,
para sempre, meu guri.

—-
Poesia dedicada a meu filho, LUCAS, de um ano e meio.